Helô Palácio

[blockquote text=”Inventadeira por prazer e profissão” show_quote_icon=”yes” title_tag=”h6″]

helô palácioNasci em 1984, e como na maioria das famílias brasileiras, a história tradicional dos pais que trabalhavam fora se repetia em Oriente/SP. Cresci na Fazenda Paredão, onde meus avós moravam e minha mãe trabalhava, e com a casa cheia de primos e alegria, a “brincadeira pronta” nunca teve graça, meu negócio era transformar a água que escorria da caixa d’água em “riozinho”, camuflar os primos e as gaiolas e passar dias em cima da árvore esperando uma galinha entrar (Operação Caça Galinhas), criar poções do riso misturando tudo o que visse pela frente, enfim, inventar moda. Dentre essas aventuras, na única vez em que conseguimos que uma galinha quase entrasse na gaiola “camuflada”, minha avó desabafou: “essa menina é inventadeira de moda”.

Na escola os sintomas se faziam presentes, eu sempre gostei de transformar tudo em um evento, e sempre busquei fazer o melhor nos meus trabalhos. Na hora de decidir “o que ser quando crescer” meu pai sugeriu Marketing, e daí nasceu uma grande história de amor. Aluna de escola pública, tive a oportunidade de cursar o segundo e terceiro ano do ensino médio na Fundação Bradesco, e para entender a diferença entre Marketing e Propaganda e definir exatamente o que estudar, fui classificada para o Curso Técnico em Gestão e Administração de Empresas na mesma instituição. Em meu primeiro contato com o Marketing, conheci um professor que dizia: “você é marketeira, menina, está no seu sangue” e daí em diante eu me apaixono mais a cada dia. Como requisito para conclusão do curso precisávamos criar uma empresa, e aí nasceu a Mirror Advertising, um projeto estrategicamente planejado para a hora certa que parecia ainda muito distante.

Meu TCC passou de um projeto para um sonho, a logomarca, o prédio na Avenida Rio Branco de Marília/SP, a sala em que receberíamos nossos clientes e cada detalhe dele passou a guiar meus dias em busca da competência para desenvolver o serviço diferenciado que eu tanto pregava.

Com meu primeiro emprego como secretária na fazenda Paredão, eu pude finalmente cursar minha faculdade de Administração de Empresas com Habilitação em Marketing. Com meu salário suado, diga-se de passagem, eu conseguia pagar minha mensalidade, ou melhor, 50% dela (já que tinha bolsa de estudos) e o ônibus dos estudantes de Oriente para Marília. Faltava ainda o dinheiro do xerox, o que me fazia prestar atenção redobrada nas aulas para fazer anotações e ter material para estudar para as provas. Com amor deu tudo certo, parecia mesmo que estava no meu sangue o tal do marketing, porque eu aprendia e parecia que estava apenas relembrando. Com o tempo, meu estimado patrão me propôs fazer um trabalho voluntário no Lar de Meninas em troca de um computador, o que facilitou muito meus estudos.

Como não sobrava nem um realzinho no meu mês, criei uma listinha de coisas que eu sonhava ter como forma de saber o que fazer quando meu salário aumentasse. Na lista tinha um par de botas, um escapulário, um notebook, um carro, apartamento, secador de cabelos, conhecer o mar do Caribe, entre outras coisas distantes da minha realidade.

A faculdade me trouxe parte da competência e das habilidades que eu precisava desenvolver para criar minha empresa, e a cada conhecimento novo, eu atualizava o planejamento dela, trazendo-a para um enfoque mais estratégico e menos propaganda.  Em uma oportunidade, consegui um emprego com salário melhor, e assim comecei a riscar alguns itens da lista que aos poucos eu conquistava, inclusive o de participar da formatura. Logo após me formar, a proprietária da loja em que eu trabalhava me propôs criar um departamento de Marketing na empresa que era referência de moda, conhecida como a Daslu do interior. Aos poucos, eu, criada na fazenda, estudei e entendi como as coisas acontecem no mundo da moda e acabei conhecendo uma nova paixão, enquanto criava um departamento de marketing focado em estratégias de fidelização de cliente, baseado em parcerias, realizações de eventos e auto sustentável. Em visitas à outras empresas em busca de parceria notei a surpresa dos empresários que se espantavam com a estrutura do departamento da loja, e comecei a pensar em oferecer esses serviços para essas empresas, aumentando assim minha experiência em outros ramos de negócio, atendendo uma necessidade do mercado consequentemente ganhando mais.

Foi assim que nasceu a Inventadeira & Co, até então sem nome e sem estrutura física, composta por mim e meu notebook (aquele da lista). Aos poucos as oportunidades foram aumentando e tive que deixar o trabalho na loja, passando a ser consultora dela também. A moral da história é que durante cinco anos eu vivi do meu sonho, conquistando o maior sonho de todos, que era o MBA em Marketing da FGV que na época era referenciado como o melhor do país na área. Com ele, conquistei a competência e o diferencial competitivo que eu busquei todos esses anos, e junto com muita pesquisa, encontrei o foco para o meu negócio. Com enfoque na gestão estratégica de pessoas e marketing, paixão pela administração, uma análise SWOT que acontecia há quatro anos, e a ideologia de mudar o mundo, criei oficialmente a Inventadeira & Co e o It Krow.

As experiências construídas nesses cinco anos me trouxeram a oportunidade de lecionar, e no meu primeiro dia de aula eu me tornei uma mulher melhor. Melhor em termos de amor ao próximo, de querer fazer algo pela vida das pessoas. Minha trajetória e luta pelos estudos junto com a forma dinâmica de ensino (coisas de inventadeira de moda), tem envolvido os alunos em vivências do mundo administrativo que os fascinam e inspiram. É bem comum meus alunos quererem se especializar em Marketing. Muitos deles me consultam procurando um rumo (por conta da adolescência no caso dos alunos da Aprendizagem), outros porque planejam abrir uma empresa e viver de um sonho assim como eu, e poder alimentar aquele brilho nos olhos deles, é a parte mais inspiradora do meu trabalho. É esse brilho que me faz querer “inventar” um mundo de oportunidade para eles, e isso é bem coisa de mulherzinha, porque nós, com o instinto materno, adotamos as pessoas de certa forma e nos tornamos bem intrometidas a ponto de querer dar uma orientação para esse talento encontrar um lugar melhor no mundo.

Esse amor pelas pessoas me inspirou a criar o It Krow, e a proposta de resolver o problema das empresas enquanto mostramos um mundo de oportunidades para as pessoas que não as encontram com facilidade, por medo de se expor, por falta de orientação, ou por não terem conhecido alguém que lhes ensine sonhar.

Em resumo, sou sim Inventadeira por prazer e profissão, e a confiança e incentivo dos meus amigos, familiares e alunos me ensinaram a acreditar no meu talento de criar com a cabeça nas nuvem e os pés no chão. Hoje eu não consigo mais separar meu trabalho do lazer, porque a maior inspiração para empreender é amar os espinhos e as flores dessa vida, enquanto inspira outras pessoas a usarem suas asas criando uma grande corrente do bem.

Eis o sentido da minha vida.